Ativista LGBT é agredido e ameaçado por três jovens no Centro de São Paulo

Agripino Magalhães foi agredido no Viaduto Jacareí , na noite desta terça (8). Ele foi jogado no meio da rua e ameaçado por arma enquanto apanhava.

Publicado em 09/03/16 às 23:54

Do Gay1 SP

Ativista LGBT é agredido e ameaçado por três jovens no Centro de São Paulo

Foto: Agripino Magalhães/Arquivo Pessoal

Ativista mostra agressão que sofreu no tórax.
O assessor parlamentar e ativista LGBT Agripino Magalhães, de 35 anos, foi agredido e ameaçado por três jovens na noite desta terça-feira (8) no Viaduto Jacareí, na Bela Vista, no Centro de São Paulo, após deixar o prédio da Câmara Municipal de São Paulo, onde trabalha. Ele foi ao 1º DP na Liberdade para registrar Boletim de Ocorrência na tarde desta quarta (9).

A vítima, que é gay, também trabalha como assessor de imprensa e relações públicas da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Após a agressão, ele ficou com hematomas pelo corpo e escoriações.

“Um indivíduo passou por trás de mim de bicicleta, puxou a gola da minha camisa e me jogou no meio da rua. O carro quase passou por cima de mim”, relatou a vítima ao site G1. Não é a primeira vez que Agripino foi agredido por homofobia.

Ainda traumatizado pela violência sofrida, Agripino relembra que só não foi atropelado porque uma senhora que estava ao seu lado se jogou no meio da rua para interromper o trânsito quase na esquina da Avenida Santo Amaro.

“O semáforo estava aberto, uma senhorinha que ia atravessar ao meu lado, e viu tudo, se jogou no meu na rua balançando a bolsa e parou o trânsito gritando. Na sequência já vieram mais dois indivíduos me chutando, dando socos e me chamando de veado”, relata o assessor. De acordo com a vítima, enquanto um rapaz o agrediu o outro lhe apontava um revólver para não reagir. O crime ocorreu por volta das 18h30.

Apesar do ato violento ter sido presenciado por várias pessoas, Agripino conta que ninguém fez nada para impedir a agressão. “Eu pensei que era mais uma vítima que estaria nas estatísticas da violência amanhã, que iria morrer inocentemente”, lamenta.

Ele estima que tenha apanhado durante cerca de 5 minutos. Após os agressores deixarem o local, foi levado para a enfermaria da Câmara Municipal, onde foi medicado. “Nem consegui dormir, estou todo dolorido”, disse.

Agripino diz que é muito visado por ser ativista e defender direitos das minorias. Ele conta que já recebeu diversas ameaças, mas não recentemente. “A gente se sente um lixo. Ninguém tem direito de fazer isso, o pior crime é o crime do ódio, da covardia”, afirmou a vítima.

Violência
O assessor foi vítima de homofobia cerca de um ano e meio atrás na mesma região. Na ocasião, ele também estava no Viaduto Jacareí após deixar a Câmara Municipal.

Em abril de 2014, Agripino conta que estava no banheiro da estação Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, quando foi agredido por seguranças da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

O assessor conta que estava usando a pia quando um dos agressores gritou: 'esse banheiro só fica cheio de veado' e o encarou. Ele teria respondido antes de ser agredido.

“Eu falei que ele estava em um lugar público e que qualquer um pode frequentar aquele ambiente, rico, pobre, negro, branco, homossexual... Aí ele me deu um chute que eu caí no chão. Ele fez um chamado no rádio e chegaram mais 10 [seguranças]”, disse.

Segundo Agripino, os 11 guardas o tiraram do banheiro e o chutaram, o arrastaram e o jogaram várias vezes na parede. Um jovem que tentou filmar a ação foi ameaçado de morte, ainda de acordo com ele.

Uma testemunha disse ter presenciado o fato e confirmou as informações. Jeniffer Vilela, artesã de 40 anos, disse que não conhecia Agripino. “Eu estava chegando na estação Barra Funda e vi o corre-corre dos seguranças, eles estavam indo na direção dos banheiros. Quando eu cheguei, vi que o cara deu um tapa tão violento nele que ele caiu encima do outro segurança. Aí ele foi pra cima do outro rapaz que estava filmando e falou ‘me da o celular aqui, você não vai filmar nada’ e deu um tapa na mão dele que o celular foi voar longe”, contou na época. A CPTM iria investigar o caso.
 
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