Conselho de Ética arquiva processo de deputado homofóbico contra Jean Wyllys

Motivo da representação foi uma resposta dele para outro deputado. Relatório do deputado Marchezan Júnior foi aprovado por 11 votos a 0.

Publicado em 09/03/16 às 13:13

Do Gay1

Conselho de Ética arquiva processo de deputado homofóbico contra Jean Wyllys

Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Jean Wyllys reagiu à fala do parlamentar, chamando o colega de “facista” e “ladrão”.
O Conselho de Ética da Câmara decidiu nesta terça-feira (8) arquivar a representação contra o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) por conta de uma resposta dele ao deputado João Rodrigues (PSD-SC), ocorrido no ano passado em uma sessão do plenário. O relatório do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), que pedia o arquivamento, foi aprovado por um placar unânime de 11 votos a 0.

A representação, apresentada em novembro passado pelo presidente do PSD, Guilherme Campos, pedia a cassação do mandato de Jean Wyllys alegando que ele havia “denegrido” o colega parlamentar. O relator, porém, considerou que Wyllys respondeu à fala de Rodrigues, que tinha “termos fortes”, em “termos igualmente fortes”.

A discussão começou quando Rodrigues subiu à tribuna para criticar parlamentares que se opõem à revogação do Estatuto do Desarmamento. No discurso, o deputado de Santa Catarina ironizou a trajetória de Jean Wyllys e chegou a chamá-lo de “escória” do país.

Jean Wyllys reagiu à fala do parlamentar, chamando o colega de “facista” e “ladrão”, e citando vídeo pornô que Rodrigues teria assistido durante uma sessão em maio. E completou: “Resta saber se seu vídeo pornô era hétero ou não”.

Em seu relatório, Marchezan ponderou que as punições do Conselho de Ética devem ser impostas com parcimônia, "sob o risco de prejudicar o funcionamento das instituições democráticas, criando-se uma situação de temor do uso da palavra, justamente no Parlamento, que é a última trincheira do direito à liberdade de expressão".

Apesar de concordar com o arquivamento, o deputado Fausto Pinato (PRB-SP) pediu mais cuidado no uso das palavras em plenário. "Temos que ter muita cautela em generalizar as palavras no plenário", ponderou.

Alguns correligionários saíram em defesa de Wyllys. “Ele reagiu a uma agressão inominável”, justificou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Glauber Braga (PSOL-RJ) engrossou o coro: “O deputado Jean Wyllys sofre cotidianamente um conjunto de agressões que devem ser também repelidas e que não podemos aceitar como naturais”.

Jean Wyllys não acompanhou a votação no Conselho de Ética. Mas, em novembro, à época da representação, disse que achava que se tratava de uma “retaliação” de deputados aliados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo fato de o PSOL ter sido um dos autores do pedido de cassação do mandato do peemedebista. Ele é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras quando disse que não possui contas bancárias no exterior – o que ele nega.
 
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