‘Me enforcou e socou minha boca’, diz jovem de 16 anos sobre agressões do pai

Rapaz de São Paulo foi expulso de casa após decidir dar um basta à rotina de provocações que sofria.

Publicado em 13/04/16 às 23:30

Com informações do Extra

‘Me enforcou e socou minha boca’, diz jovem de 16 anos sobre homofobia do pai

Foto: Reprodução

Garoto, de 16 anos, se escondeu em um banheiro para enviar à mãe foto da violência cometida pelo pai.
Um jovem de 16 anos, há dois meses, decidiu dar um basta à rotina de provocações que sofria por parte do pai. Gay e morador no Parque Piratininga, em Itaquaquecetuba, São Paulo, nunca havia comentado explicitamente em casa sobre sua orientação sexual, até aquele dia.

"Estávamos os dois vendo TV, quando ele fez uma piadinha sobre futebol e gays. Disse que se tivesse filho 'viado' em casa, mataria. Não me aguentei e falei: ‘Então o senhor deveria repensar suas atitudes, já que seu filho é homossexual’. Ele partiu para cima de mim, me jogou contra a parede, me enforcou e deu dois socos na minha boca", relata.

O rapaz, então, correu para o banheiro e tirou fotos do estrago cometido pelo pai para enviá-las à mãe, que mora no Rio de Janeiro.

"Eles se separaram há seis anos. Cheguei a morar com a minha mãe no Rio, mas há um ano voltei para São Paulo, pois aqui encontro mais oportunidades para tentar uma carreira de modelo" argumenta o jovem, que afirma ter crescido vendo o pai espancar a mãe.

Após a sequência de agressões, o rapaz deixou a casa do pai e, desde então, está abrigado na casa da tia de seu namorado. Segundo ele, o pai mandou um recado através de seu irmão, de 13 anos, avisando que “não quer saber mais dele”.

"Minhas roupas e meus documentos estão na casa dele e ele me proibiu de ir lá buscá-los. Minha mãe está me ajudando financeiramente e esta semana vou retirar a segunda via de tudo para tomar medidas judiciais cabíveis" promete o rapaz, que, após um mês de silêncio, seguiu o conselho do namorado e registrou a ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil, em Guarulhos. Lá, foi orientado a “procurar o Conselho Tutelar e a mídia”.

Apesar da violência sofrida, o jovem acredita que poderia ter abordado sua orientação sexual de forma mais “calma” com o pai, segundo ele uma pessoa naturalmente agressiva e que conta com o apoio da atual mulher, que também costumava agredir o jovem verbalmente com frequência.

"Estou com medo, confesso. De andar na rua e ser agredido, por exemplo. Mas acho importante alertar outros jovens homossexuais sobre a necessidade de ter coragem sempre" finaliza.
 
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