'Estou mais forte', diz Viviany Beleboni que promete voltar à Parada LGBT de São Paulo

Modelo que fez performance crucificada na Parada LGBT de SP do ano passado e foi perseguida, voltará a fazer ato este ano. 'Não vão me calar.'

Publicado em 14/05/16 às 01:35

Do Gay1 SP

'Estou mais forte', diz Viviany Beleboni que promete voltar à Parada LGBT de São Paulo

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Viviany Beleboni: ela não vai se calar!
Um ano depois da performance que a deixou famosa e a fez ser perseguida e agredida, Viviany Beleboni promete voltar à 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que acontece dia 29. Nem o fato de ter sido esfaqueada na rua depois da performance no ano passado, quando modelo transexual foi "crucificada" em um trio elétrico, a fez voltar atrás. "Esse ano irei como fui em todos os anos, mesmo temendo por minha segurança. Querem me calar, mas estão dando um tiro no próprio pé, pois depois de sofrer na pele a perseguição de fundamentalistas religiosos, fiquei mais forte. Toda vez que recebo ofensas, isso me dá mais força, pois as pessoas que me ofendem não passam de covardes que ficam na frente de um computador, muitas vezes frustrados e com uma vida vazia. O que sinto sobre pessoas covardes e hipócritas é pena", disse ela.

Sem dar detalhes sobre sua performance neste ano, Vivi revela que vai representar o tema da Parada deste ano, "Lei de Identidade de gênero já!". "Quero colocar em discussão o retrocesso na causas LGBT e o sofrimento das minorias no nosso atual cenário político por conta dessa bancada tão arcaica", diz ela.

'Estou mais forte', diz Viviany Beleboni que promete voltar à Parada LGBT de São Paulo

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Viviany Beleboni.
"Não quis ofender ninguém"
Sobre a performance do ano passado, Vivi diz que sabia que não seria unanimidade. "Meu intuito nunca foi ofender ninguém e sim levar o debate à população, mostrar o que sofremos e fazer as pessoas ao menos respeitarem o que é diferente. Todo mundo tem direito de gostar do ato ou não, isso nunca seria unanimidade em um país tão atrasado em educação como o Brasil", argumenta.

O intuito de Vivi, segundo ela, foi político. "Jesus andava com as minorias. Eu como artista quis levar uma discussão saudável a pessoas que não sabem o quanto sofremos no dia dia. Mas meu ato foi distorcido por alguns pastores e dividiu a população. Eu nunca quis ofender ninguém, a crucificação acontece todos os anos em peças de teatro na Páscoa. A questão é que hoje existem religiosos que se acham donos de Jesus Cristo ou desse ato, que são os mesmos que fazem comércio da fé, vendendo sabão em pó milagroso, perfume de Jesus e água do Rio Nilo por preços exorbitantes", diz Vivi, que está processando o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Segundo ela, o deputado colou várias fotos dela crucificada na porta de seu gabinete e participou de programas de TV condenando a performance de Vivi no evento.

'Não fui expulsa da Parada'
Vivi nega que tenha sido expulsa da Parada após sua participação no ano passado. "Muitas pessoas estavam comentando e inventando histórias de que, devido o protesto do ano passado, eu teria sido expulsa do evento. Isso é uma mentira, a organização da Parada LGBT ficou ao meu lado ao tempo todo. E também por causa do meu ato o tema LGBT nunca se foi tão falado, principalmente sobre transsexuais. O tema foi destaque no ENEM, em jornais conhecidos na espanha, França e EUA, e no Brasil."

'Estou mais forte', diz Viviany Beleboni que promete voltar à Parada LGBT de São Paulo

Foto: REUTERS/Joao Castellano

Viviany Beleboni 'crucificada' na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
 
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