Obama vai criar primeiro monumento sobre a história dos direitos LGBT nos EUA

Stonewall Inn, em Nova Yorké, o lugar onde o movimento moderno pelos direitos LGBT deitou raízes.

Publicado em 14/05/16 às 17:52

JOSH LEDERMAN, DA ASSOCIATED PRESS

O famoso Stonewall Inn, de Nova York, lugar onde o movimento moderno pelos direitos LGBT deitou raízes, vai se tornar o primeiro monumento nacional em homenagem à história de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais nos Estados Unidos, segundo uma proposta que o presidente Barack Obama se prepara para aprovar.

A designação de uma área pequena como monumento vai assinalar um ato importante de reconhecimento nacional dos defensores dos direitos LGBT e de suas lutas no último meio século. Desde o levante de 1969 em Greenwich Village, os EUA promulgaram leis contra a discriminação, autorizaram gays e lésbicas a servir abertamente nas Forças Armadas americanas e legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.

Obama vai criar primeiro monumento sobre a história dos direitos LGBT nos EUA

Foto: Brendan McDermid/Reuters

Stonewall Inn, em Nova York, deve se tornar o primeiro monumento em homenagem aos gays nos EUA.
O terreno ainda terá que ser transferido ao governo federal, e outros detalhes ainda precisam ser acertados, mas a previsão é que Obama aja com presteza para aprovar a criação do monumento, após uma reunião pública promovida na segunda-feira em Manhattan. A informação é de duas pessoas familiarizadas com os planos da administração, mas não autorizadas a comentar os planos publicamente, razão pela qual pediram anonimato.

Revolta popular
O mês de junho é o Mês do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual, Travestis e Transexual nos Estados Unidos.

A taverna, conhecida popularmente como The Stonewall, tornou-se um elemento catalizador do movimento pelos direitos LGBT depois de ser invadida pela polícia em 28 de junho de 1969.

Os frequentadores do bar resistiram aos policiais, e muitos outros saíram às ruas nos dias seguintes para participar de protestos, em uma revolta popular vista por muitos como o início do ativismo LGBT em grande escala em Nova York e no mundo.

A revolta é lembrada anualmente com Paradas de Orgulho LGBT em centenas de cidades do mundo.

A Casa Branca não comentou a notícia. Mas Obama já homenageou o local anteriormente, notadamente em seu segundo discurso de posse, em 2013. Nessa ocasião, no que se acredita ter sido a primeira vez que os direitos LGBT foram citados em um discurso de posse presidencial, Obama disse que o princípio da igualdade ainda guia os EUA, "assim como guiou nossos antecessores em Seneca Falls, em Selma e em Stonewall".

Marco da cidade
Não é de hoje que deputados de Nova York defendem a designação do Stonewall como monumento nacional. No ano passado, a prefeitura de Nova York o converteu em marco da cidade -o primeiro a ter sido assim designado principalmente por sua importância na história LGBT.

No Congresso, a senadora Kirsten Gillibrand e o deputado Jerrold Nadler, ambos democratas, estão propondo uma lei que converta o Stonewall em parque nacional e exortando Obama a lançar mão de sua autoridade executiva para homenagear o local.

Nadler disse que o local "será importante para lembrar a todos sobre a luta pela igualdade em nosso país", que abrange a luta atual e contínua pelos direitos das pessoas trans.

Algumas propostas que a administração Obama estuda incluem a criação do monumento no parque Christopher, uma pequena área pública na rua do Stonewall, e da área em torno. No número 51 da rua Christopher, onde duas casas adjacentes abrigavam o bar gay no passado, o prédio onde funciona o Stonewall Inn atual ainda é um popular ponto de encontro LGBT. Construído originalmente nos anos 1840 para ser um estábulo, a estrutura ainda conserva a fachada de tijolinhos e estuque pela qual os frequentadores entravam no bar em 1969.

Monumentos pela igualdade
Vários procedimentos terão que ser concluídos até a designação formal pelo presidente. O primeiro passo será dado na noite de segunda-feira numa escola pública de Manhattan, como foi divulgado inicialmente pelo "Washington Post".

O Departamento do Interior disse que a secretária do Interior, Sally Jewell, e o diretor do Serviço de Parques Nacionais, Jon Jarvis, vão participar de uma reunião aberta onde serão discutidas propostas para "proteger o parque Christopher para gerações futuras".

Obama fez uso amplo de seu poder presidencial para criar monumentos, não apenas para proteger milhões de acres de floresta e oceano, mas também para honrar grupos cujas lutas por tratamento igual viraram marcos da história dos EUA. No mês passado Obama designou uma residência histórica em Washington como o Monumento Nacional Belmont-Paul pela Igualdade das Mulheres.

A organização Human Rights Campaign e outros grupos de defesa dos direitos LGBT aplaudiram o anúncio que será feito. Corey Johnson, vereador abertamente gay de Nova York que representa o bairro, disse que o reconhecimento do sítio pelo governo federal é "incrivelmente importante".

"O que aconteceu no Stonewall e no parque Christopher é um capítulo crucial da história americana", disse Johnson.

Tradução de Clara Allain
 
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