Discriminação contra LGBT cai no DF, mas ainda é grave, indica pesquisa

Levantamento feito por ocasião da 19ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília ouviu 375 pessoas e faz comparativo inédito no País.

Publicado em 24/06/16 às 16:05

Da Associação Parada LGBTS de Brasília

Discriminação contra LGBT cai no DF, mas ainda é grave, indica pesquisa

Foto: Roberto Jayme

O estudo foi realizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBTS de Brasília.
Misto de comemoração com preocupação. Pesquisa divulgada nesta sexta 24 mostra que a discriminação contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) no Distrito Federal caiu.

A conclusão vem do comparativo entre dois levantamentos com os mesmos objetivos. No primeiro, em 2007, apurou-se que 64% dos entrevistados haviam sido vítimas de discriminação nos dois anos anteriores. Na pesquisa agora divulgada e feita neste mês, o mesmo índice caiu para 51,4%. Queda de 20% em relação ao apurado em 2007, quando se entrevistou 356 pessoas.

O estudo foi realizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBTS de Brasília por ocasião da 19ª marcha do coletivo, que será realizada neste domingo 26, a partir de 14h, com saída em frente ao Congresso Nacional.

Com coordenação geral do ativista Welton Trindade, da Associação da Parada, e coordenação técnica da Strategos Empresa Júnior de Consultoria Política, a pesquisa entrevistou 375 LGBT em bares, festas e clubes arco-íris da capital. A aplicação ficou a cargo de grupo de voluntariado. O financiamento foi obtido por meio de doações de LGBTs.

Para Trindade, há que se destacar o ponto positivo da diminuição do preconceito, mas, ele enfatiza que o desafio de superar a discriminação continua. “O levantamento evidencia que, aos poucos, o respeito à diversidade tem ganho espaço, mas não se pode aceitar que ainda um de cada dois LGBT tenham sofrido discriminação. Nossa comemoração aí dura pouco ao ver ainda o quanto há preconceito.”

Tal comparativo entre anos é algo inédito no País. Trata-se de um passo importante e nunca dado no Brasil poder ter feito análise de dois momentos sobre esse tema com os mesmos parâmetros.

Diferenças dentre segmentos
O levantamento também demonstrou que dentre LGBT há diferenças. Travestis, transexuais e transgêneros são o segmento que mais relatou ter sofrido discriminação: 76,47%. Em seguida, vêm mulheres cisgêneros lésbicas e bissexuais, com 60,71%. Dos homens cisgêneros gays e bissexuais, a taxa foi 45,52%.

Taxa de denúncia é muito baixa
Outro dado preocupante encontrado pelo estudo é o alto nível de discriminações que não são denunciadas. Dentre a amostra entrevistada e que sofreu preconceito, 87% disseram não terem feito relatos oficiais sobre o ocorrido, seja policial, alguma autoridade pública ou responsáveis por ambientes de trabalho ou estudo.

Para Amanda Ayres, da Strategos, viu-se uma realidade que precisa ser mudada. “Os indivíduos discriminados tendem a se omitir.”

Família é foco de preconceito
Caminhos importantes para a superação da discriminação contra LGBT são apontados em outra pergunta. A questão sobre quem discriminou encontrou os seguintes índices de respostas: 76% foram desconhecidos, 44% foram parentes, e 36% escolas de escola ou faculdade. Podia-se escolher mais de uma alternativa aqui para relatar um ou mais casos de atos preconceituosos sofridos.

Para Trindade, esse índices devem servir de base para políticas públicas e ações da sociedade civil. “Ser destratado por desconhecidos é falta de civilidade, no mínimo, e de falta de respeito ao direito do outro. E encontrar família no segundo lugar coloca o desafio de falar mais sobre a diversidade dentre parentes. Sobre o ambiente de estudo, há de ser mais efetivo em ações educacionais para mudar esse cenário.”

Dos 375 respondentes, 58,1% foram homens cisgêneros gays ou bissexuais, 29,8% de mulheres cisgnêneros lésbicas ou bissexuais e 4,5% de travestis, transexuais e transgêneros. As proporções foram definidas com base na pesquisa sobre sexualidade Mosaico Brasil (2008), da USP, que traçou perfil com base na orientação sexual dos moradores do DF. Travestis, transexuais e transgêneros, que diz respeito a identidade de gênero, tiveram inclusão na pesquisa de forma aleatória e de acordo com presença nos locais pesquisados.
 
Encontre-nos no Google+