'Gay, tem que matar', diz médico que que agrediu casal de lésbicas em Goiânia

Homem diz que vai entrar na justiça contra Angélica por ter veiculado o vídeo nas redes sociais.

Publicado em 15/06/16 às 23:58

Por Murillo Velasco 'Gay, tem que matar', diz médico que que agrediu casal de lésbicas



Uma agente de turismo e a namorada denunciam que sofreram agressões verbais de um médico por serem lésbicas. Angélica Santana, de 27 anos, gravou um vídeo do momento da discussão. “Veado, gay, se pegar, tem que matar. O mundo não é pra isso, as aberrações, esquece isso”, diz o homem na gravação (veja acima).

O caso aconteceu na madrugada desta quarta-feira (15) em um posto de combustíveis na Praça Cívica, no centro de Goiânia. O casal registrou ocorrência contra o médico pneumologista Ricardo Dourado no 1º Distrito Policial da cidade.

O vídeo foi postado pela agente de turismo nas redes sociais. Nas imagens, Dourado tenta convencer o casal de que ser uma pessoa LGBT é algo “anormal”.

“Vai atrás de um homem bom pra você. Casa, vai ter filho. Isso é o normal. Vocês querem o anormal? Vocês vão lutar contra? O dia que você pular num rio, você nada contra a correnteza”, acrescenta.

Angélica disse ao site G1 que estava no quiosque do posto de combustíveis com a namorada, a turismóloga Giovana Alves, de 36 anos, e uma amiga, quando Ricardo se aproximou. Segundo ela, o médico começou a passar as mãos nas costas dela, quando Giovana pediu para que ele parasse. A agente conta que o médico se exaltou quando descobriu que as duas eram namoradas.

“Ele já chegou muito intimidador, pegando na minha amiga, depois na minha namorada, passou a mão em mim. Eu falei ‘para por favor’. Foi a hora que a Giovana falou ‘por favor, não encosta na minha namorada’, pra me defender. Aí ele começou com o discurso homofóbico”, relatou a agente de turismo.

Por telefone, segundo a matéria do site G1, Ricardo Dourado confirmou que houve uma discussão no local e argumentou que só se manifestou porque, segundo ele, o casal estava “se exibindo”. Ele afirma que não se lembra exatamente do que falou porque tinha bebido cerveja e estava com “ânimos exaltados”.

O médico disse que não considera a atitude dele um crime, que discutiu com o casal porque foi provocado. “Eu não acho certo, continuo achando que não é certo. Não tenho nada contra gay, eu só acho que essa exposição do gay, esse negócio de beijar em ambiente público, de querer se mostrar, eu não sou a favor. Isso é uma questão minha”, defende.

'Gay, tem que matar', diz médico que que agrediu casal de lésbicas

Foto: Vanessa Martins

Casal diz que se sentiu constrangido pela abordagem do médico, em Goiás.
Constrangimento
A turismóloga Giovana Alves lembra que se sentiu constrangida com a situação. Segundo ela, enquanto Ricardo Dourado falava, as duas ficaram sem ação.

“A gente se sentiu indefesa, por uma agressão tão gratuita e injustificada. A raiva que a gente sentiu dentro da gente foi administrada de outra forma. Porque eu não poderia ficar no nível dele”, disse.

Angélica disse que tomou a iniciativa de gravar a cena depois que o médico se afastou e voltou continuando a discussão. “Ele falou muita coisa antes de eu começar a gravar, ele foi no banheiro, saiu e continuou falando. Fiquei sem reação, não ia bater boca com ele, só queria que ele parasse de falar”, explica a agente de turismo.

Já o médico alega que esta não foi a primeira vez que ele “se indignou” diante de um casal de lésbicas. “Eu já tive cenas horríveis, uma vez fui para uma pousada, tinha lésbicas lá, as meninas beijando na piscina, com minha filha lá menor de idade”, contou.

Ricardo Dourado diz que vai entrar na justiça contra Angélica por ter veiculado o vídeo nas redes sociais associando a imagem dele ao nome e profissão.
 
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