Clubes de armas LGBT dobram de membros após ataque em Orlando

O Pink Pistols nasceu em 2000 em resposta a uma série de incidentes violentos contra pessoas LGBT.

Publicado em 04/07/16 às 17:15

Da Associated Press, em Salt Lake City (EUA)

Clubes de armas LGBT dobram de membros após ataque em Orlando

Foto: Al Hartmann/Associated Press

O presidente do Pink Pistols, Matt Schlentz, posa com seu fuzil AR-15, modelo usado pelo atirador de Orlando.
O número de membros de um clube de armas LGBT americano mais que dobrou depois que um homem abriu fogo na boate LGBT Pulse, em Orlando, provocando a morte de 49 pessoas.

Segundo Matt Schlentz, presidente da organização Pink Pistols (pistolas rosas, em inglês) no Estado americano de Utah, a entidade passou de 1.500 a 4.000 membros desde o massacre feito por Omar Mateen em 12 de junho.

"É muito triste que algo deste tamanho tenha que ter acontecido para que eles percebessem essa necessidade para nossa comunidade", afirmou, em entrevista ao jornal local "Salt Lake Tribune".

"Mas a realidade é que nós ainda continuamos sendo atacador por beijar nossos parceiros ou andar de mãos dadas em público. Nós temos nossas janelas quebradas por ter um adesivo pela diversidade."

Schlentz tem fuzis similares ao AR-15 usado por Mateen, e disse que têm reações paradoxais das pessoas quando elas ficam sabendo que ele é um defensor do direito ao porte de armas.

"Obviamente, como gay, eu tenho que ter algumas posições liberais, mas neste ponto sou muito conservador. A realidade é que o mundo é um lugar violento, terrível e assustador e as pessoas sim querem me ferir porque amo uma pessoa do mesmo sexo que eu."

O Pink Pistols nasceu em 2000 em resposta a uma série de incidentes violentos contra LGBTs, incluindo a morte do estudante gay Matthew Shepard no Estado americano de Wyoming.

Algumas de suas primeiras frases de protesto eram "As bichas revidam" e "Escolha alguém do seu calibre". O grupo Stonewall Shooting Sports of Utah é outro grupo pró-armas LGBT.

"Da mesma forma que o atentado de Orlando foi horrível, como se isso tenha sido um grande motivo para que as pessoas abrissem os olhos e vissem que o mundo não é um lugar perfeito, principalmente para um grupo em risco de sofrer este tipo de violência", disse Scott Mogilefsky, presidente do grupo e veterano do Exército.

De acordo com ele, sua organização também recebeu novos membros após Orlando. "Os seguranças deveriam ser armados em todas as boates LGBT e todos os empregados deveriam fazer um curso defensivo de tiro uma vez por ano. Se você pensa em grupos supremacistas, um bar gay é um alvo fácil. E o atirador sabe disso. É muito fácil."

Tradução de DIEGO ZERBATO
 
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