Sindicato dos Professores do DF vê como intimidador ofício de deputada homofóbica

Parlamentar da bancada evangélica enviou ofício questionando um trabalho escolar que tratava sobre homofobia.

Publicado em 06/07/16 às 09:32

Do Gay1 DF
Sindicato dos Professores ver como intimidador ofício de deputada homofóbica do DF
Sindicato dos Professores ver como intimidador ofício de deputada homofóbica do DF

Foto: Reprodução

Ofício da deputada evangélica que pede “providências legais” contra professor que tratou sobre homofobia em sala de aula.
A deputada distrital Sandra Faraj (SD), da bancada evangélica, enviou ofício a um colégio de ensino médio de Ceilândia para questionar um trabalho escolar que tratava sobre homofobia. A interferência da parlamentar na escolha do conteúdo pedagógico revoltou professores e entidades de defesa da educação, que divulgaram notas de repúdio nesta terça-feira.

No fim de junho, um professor do segundo ano do ensino médio do Centro Educacional 6 de Ceilândia passou um trabalho em grupo aos estudantes, em que eles deveriam debater um entre os seguintes temas: homofobia, integração entre gêneros, pansexualidade, relações poliamorosas e transsexualidade. Sandra Faraj recebeu uma reclamação em seu gabinete com relação ao assunto e enviou ofício à direção da escola pedindo “esclarecimentos” e “providências legais cabíveis”.

O Sindicato dos Professores considerou o envio do ofício uma forma de intimidar e constranger os professores. “Temos uma lei de gestão democrática que organiza as escolas e estabelece a autonomia do trabalho pedagógico dos professores e da instituição de ensino. O professor tem que ajudar os alunos a entender a sociedade, ele não pode ser cerceado ao tocar em temas importantes da atualidade”, reclama Dimas Rocha, diretor da entidade.

O Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira uma nota de repúdio ao posicionamento da parlamentar. “O Conselho repudia a tentativa de interferir na autonomia dos professores da escola citada. É conhecida a saga da deputada que enviou o ofício, para que os temas de gênero e orientação sexual não sejam discutidos, o que não encontra base legal. O Conselho é afirmativo na necessidade de discussão dos temas de diversidade nas escolas para o estimulo de uma cultura da paz e tolerância”, diz a nota da entidade.

A deputada Sandra Faraj afirmou sofrer uma perseguição por parte do Sindicato dos Professores. “Existe esse embate com o sindicato, que é ligado a movimentos sociais e a partidos políticos. Sempre que agimos para defender os valores da família, eles se posicionam contra”, diz a deputada.

Contra direitos LGBT
Em março de 2015, Sandra Farah começou uma cruzada contra pessoas LGBT. Ela iniciou uma petição para que travestis e transexuais não possam usar banheiros femininos.

Chamada de “Respeite meu espaço”, a campanha transfóbica pedia a revogação da Resolução nº 12 de 16 de janeiro de 2015, do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos de LGBT, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, publicada no Diário Oficial da União do dia 12 de março de 2015.
 
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