Caio Bonfim repeliu a homofobia em Brasília e foi herói olímpico sem medalha no Rio

Na Rio-2016, ele perdeu o bronze por apenas 5 segundos e fez desabafo: "Não teve um dia que não me xingaram de veado".

Publicado em 13/08/16 às 12:50

Do Gay1 Esportes

Caio Bonfim repeliu a homofobia em Brasília e foi herói olímpico sem medalha

Foto: Ryan Pierse/Getty Image

Caio Bonfim comemora o sexto lugar no mundial de marcha atlética de 2015; no Rio, ele perdeu o bronze por apenas 5 segundos.
Caio Oliveira de Sena Bonfim não precisou de uma medalha para se consagrar nas Olimpíadas do Rio. Na tarde da última sexta-feira (12), ele ficou a cinco segundos do bronze nos 20 km da marcha atlética, um esporte pouquíssimo conhecido e praticado no país. Mas se tornou um símbolo do esforço olímpico.

Um símbolo que precisa conviver com o desconhecimento (às vezes com a ignorância), com falta de condições adequadas e, ainda assim, se supera para conseguir bons resultados.

Caio cansou de ouvir xingamentos homofóbicos por causa do movimento específico que um marchador precisa fazer ao praticar o esporte. “Veado”, “vai virar homem” e “vagabundo” foram apenas algumas das agressões que ele ouviu, e continua ouvindo nas ruas do Distrito Federal, onde treina.

“Eu não devo nada a ninguém, não devo a Brasília, ao Brasil, nada, porque eu não tive apoio. Na minha casa eu tive, minha família é maravilhosa pra mim”, disse o marchador na praia do Pontal, no Rio, logo depois de alcançar o quarto lugar histórico para a marcha atlética nacional.

Ele estava exultante com o resultado, apesar de ter marchado por mais de uma hora em uma prova considerada uma das mais extenuantes do programa olímpico. As medalhas ficaram com dois chineses (ouro e prata) e um australiano (bronze). Com Caio ficou a palavra, e ele a usou para desabafar.

O desabafo de Caio contra à homofobia
“Não teve nenhum dia que eu tenha saído na rua que não fui xingado por fazer a marcha atlética. Mas não teve nenhum dia que eles [sua família] não me apoiaram. Paitrocínio mesmo, dinheiro, investimento, choro... Eles são minha base. São eles que me trouxeram aqui, não foi meu país, não foram patrocinadores, porque ninguém apoiou direito. Foram eles, com suor, vendendo coisas, com dedicação. Meus pais são minha equipe, meu time.”

Além de apoio emocional e financeiro, a família Bonfim ajudou Caio com genética e cultura esportiva. Sua mãe Gianetti, várias vezes campeã nacional de marcha atlética, foi quem o apresentou ao esporte. Seu pai João Sena é também seu treinador.

Os dois ajudaram o marchador a fazer a transição do futebol, esporte praticado por Caio por dez anos, no Brasiliense, às passadas curtas e velozes da marcha.

Em Londres-2012, ele teve um desempenho muito ruim, o que hoje ele credita à inexperiência. No último mundial da categoria, chegou em sexto lugar, mas ainda assim seu nome não aparecia entre os favoritos a ganhar medalha no Rio.
 
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