Estudo prova que transexualidade não é transtorno psiquiátrico

Cientistas querem retirar pessoas trans da lista de distúrbios mentais da OMS.

Publicado em 01/08/16 às 16:30

Da AFP

Estudo prova que transexualidade não é transtorno psiquiátrico

Foto: Reprodução

Pesquisa é a primeira de várias que já estão sendo feitas no Brasil, França, Índia, Líbano e África do Sul que serão apresentadas em 2018 na discussão da 11ª versão da Classificação Internacional de Doenças.
Com o objetivo de retirar as pessoas trans da classificação de transtornos mentais da Organização Mundial da Saúde (OMS), cientistas mexicanos realizaram o primeiro estudo de campo que demonstra que as mudanças na identidade de gênero não são uma doença. O estudo, publicado na revista médica britânica “The Lancet Psychiatry”, foi apresentado no México nesta quinta-feira por autoridades sanitárias e da OMS.

A pesquisa é a primeira de várias que já estão sendo feitas no Brasil, França, Índia, Líbano e África do Sul, e que serão apresentadas em 2018 na discussão da 11ª versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da OMS, que serve como referência médica para os países-membros.

"Esta reclassificação não só vai promover a discussão de novas políticas de saúde para que a comunidade trans tenha melhores acessos aos serviços de saúde e atenção, mas também (...) pode ajudar a reduzir o estigma e a rejeição de que são vítimas" afirmou Ana Fresán, uma das autoras do estudo.

A pesquisa demonstra que as questões psiquiátricas na população trans são produto da violência e discriminação que sofrem e não, como se classifica atualmente, produto da sua transexualidade.

"Se não é uma doença agora, então ocorre que nunca foi, que fique claro, não é que antes fosse uma doença e agora não é mais" explicou Eduardo Madrigal, presidente da Associação Mexicana de Psiquiatria.

O estudo de campo consistiu em 260 entrevistas com adultos (maiores de 18 anos) travestis e transexuais que recebem atenção médica na clínica especializada Condesa, que trata exclusivamente doenças de transmissão sexual.

A presidente do Conselho Nacional para Prevenir a Discriminação, Alexandra Haas, afirmou que “é problemático que se assuma a identidade trans como patologia”.

"Pensar a identidade como uma doença nos obriga a buscar uma cura, e em vez disso os esforços institucionais devem focar em reconhecer a diversidade, promover a inclusão e garantir os direitos" acrescentou.
 
Encontre-nos no Google+