Fifa dá 1 multa por homofobia a cada 3 jogos das eliminatórias sul-americanas

Os casos das últimas duas rodadas ainda não foram avaliados e o Brasil será julgado pela primeira vez devido a gritos de "bicha".

Publicado em 03/10/16 às 17:34

Do Gay1 Esportes

Fifa dá 1 multa por homofobia a cada 3 jogos das eliminatórias sul-americanas

Foto: Guillermo Arias/Xinhua

Torcedores do Chile cantam durante partida em Santiago.
Com atenção especial voltada à Copa do Mundo da Rússia, em 2018, tendo em vista o histórico do país com atitudes discriminatórias de seus torcedores, a Fifa desenvolveu um programa de monitoramento dos jogos das eliminatórias do torneio. Com base nesse programa, a entidade já aplicou uma multa a cada três jogos das eliminatórias da América do Sul, totalizando dez multas em seis rodadas (compostas de cinco jogos cada uma, ou seja, trinta jogos).

Os casos das últimas duas rodadas, disputadas em setembro, ainda não foram avaliados pelo Comitê Disciplinar da Fifa –como a Gay1 revelou, o Brasil será julgado pela primeira vez devido a gritos de "bicha" direcionados ao goleiro colombiano Ospina na Arena da Amazônia. Até o momento, a federação chilena é a que mais tem sofrido com o projeto iniciado em outubro de 2015: já foi punida cinco vezes e teve que pagar cerca de R$ 320 mil em multas, além de ter sido proibida de utilizar o estádio Nacional por duas partidas.

O sistema de monitoramento é comandado pelo departamento de sustentabilidade e diversidade da Fifa, chefiado pelo argentino Federico Addiechi, que explica seu funcionamento.

"O sistema se aplica aos 871 jogos das eliminatórias da Copa, e se inicia com a análise do risco das partidas a partir de nove critérios, entre eles: a situação política; os casos prévios de discriminação na região; experiências prévias entre as federações; o clima antes do jogo nas redes sociais; entre outros."



Observadores de todo o mundo são treinados pela organização Fare (Football Against Racism in Europe), parceira da Fifa desde 2015. Infiltrados entre os torcedores, eles produzem vídeos, fotografias ou áudios que são entregues ao Comitê Disciplinar da entidade. Nas partidas de mais risco, dois observadores são enviados.

"O mecanismo permite que a Fifa tenha evidências que não havia antes. Anteriormente, a mídia relatava o ocorrido e então a Fifa tentava decidir se cabia uma sanção disciplinar ou não", diz Addiechi.

Nos países da América do Sul, as punições se aplicam majoritariamente devido ao grito de "puto" durante as cobranças de tiro de meta.

Nos países de língua espanhola, "puto" é um modo pejorativo de se referir a homossexuais. No Brasil, os torcedores passaram a imitar por volta de 2014, antes da Copa, com o grito de "bicha".

Além das dez multas na América do Sul, outras seis foram aplicadas em partidas da Concacaf (América Central, do Norte e Caribe). Não houve incidentes de homofobia relatados na Europa, que teve dois casos de racismo na Croácia em março.

Questionado sobre a crítica de que as multas são brandas e que os casos continuam a acontecer, Addiechi diz que boa parte das federações iniciaram campanhas contra a homofobia após as sanções.

"As multas que foram dadas a esses países chamaram a atenção. Aconteceu com Chile, México, que estão tomando atitudes. Estamos ajudando, oferecendo nossos especialistas para que desenvolvam seus planos de ação, dos quais fazemos uma análise prioritária", diz, acrescentando que cabe ao Comitê Disciplinar avaliar o rigor das punições, que variam de multas à perda de mandos de campo.

Para o diretor da Fifa, o principal resultado tem sido o fomento ao debate sobre o tema. Addiechi acredita que a circulação da informação pode ajudar a erradicar o preconceito nos estádios.

"A discriminação não está só restrita à intenção. O torcedor pode discriminar sem intenção. Por isso, é importante que o torcedor saiba o que uma pessoa pode sentir com esses atos discriminatórios. O insulto, a agressão, o grito, nesse caso, podem atentar contra a dignidade de uma pessoa".

 
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