Com discurso homofóbico e apoio de grupos anti-LGBT, Trump vence nos EUA

Durante a campanha, o republicano se comprometeu a assinar um ato em que permite discriminação anti-LGBT em razão da religião. Seu vice acredita que pessoas LGBT devem passar por terapia de choque "para deixarem de ser gays".

Publicado em 09/11/2016 às 12:15

Do Gay1 Mundo

Com discurso homofóbico e apoio de grupos anti-LGBT, Donald Trump vence as eleições dos EUA

Foto: AFP

Donald Trump segura bandeira LGBT de cabeça pra baixo que tinha a inscrição “LGBTs por Trump”, logo depois de subir ao palco em um comício em Greeley, Colorado, fim de outubro.
O republicano Donald Trump venceu as eleições presidenciais dos Estados Unidos ao derrotar a democrata Hillary Clinton e criou uma comoção em metade do país e no mundo inteiro. Trump, um populista com um discurso homofóbico, xenófobo e antissistema, será o próximo presidente dos Estados Unidos. Com o apoio maciço dos que são contra os avanços dos direitos LGBT, Trump derrubou todas as previsões das pesquisas e obteve uma vitória que lança o seu país no desconhecido.

O mundo esperava ver a primeira mulher na presidência dos EUA, depois de o país ter um presidente afro-americano. Mas aconteceu o inesperado. Os eleitores escolheram um demagogo, um homem que reavivou alguns dos preconceitos mais tenebrosos do país, que colocou no centro do discurso político o insulto e a desqualificação, um admirador de Vladimir Putin que persegue e tira direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais na Rússia.

A plataforma republicana aprovada no início deste ano continha algumas das disposições mais anti-LGBT em décadas. Atacam a adoção por casais do mesmo sexo, opondo-se a proibição de terapias de suposta 'cura gay', afirmando isenções de liberdade religiosa para leis anti-discriminação. Trump não tem um plano de ações sobre avanços dos direitos LGBT e HIV/AIDS.

Seu companheiro de chapa, Mike Pence, tem confirmado um plano para desmantelar os avanços de Barack Obama nos direitos LGBT. O presidente eleito comprometeu a assinar o 'Ato de Primeira Emenda' defendida por republicanos, uma lei que permite que as formas de discriminação anti-LGBT em razão da religião sejam aceitas.

Trump com a bandeira LGBT
Em um dos momentos mais bizarros de sua campanha – mas ao mesmo tempo provavelmente um dos mais calculados –, Donald Trump desfraldou uma bandeira do arco-íris que tinha a inscrição “LGBTs por Trump”, logo depois de subir ao palco em um comício em Greeley, Colorado, fim de outubro.

A bandeira de Trump estava invertida, apesar de o texto estar certo. Em outras palavras, quem escreveu na bandeira não sabia que ela estava de cabeça para baixo.

Trump pegou a bandeira de um apoiador que estava convenientemente perto do palco. A impressão foi a de que o candidato viu a bandeira e quis levá-la para o palco.

Mas ela também parecia dobrada quando lhe foi entregue, então é difícil acreditar que Trump soubesse do que se tratava – a menos que tivesse sido avisado com antecedência. O candidato abriu a bandeira, caminhou de um lado para o outro com ela durante alguns instantes e depois a devolveu para a mesma pessoa.

Existem momentos em que as grandes nações dão viradas bruscas. Quando se trata dos Estados Unidos da América, a virada afeta a toda a humanidade. O 9 de novembro de 2016 pode passar à história como um desses momentos.
 
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