MC Trans espera há oito anos na fila do SUS por cirurgia de redesignação sexual

Hoje, a funkeira Camilla Monforte, de 27 anos, está de malas prontas para a Europa, onde fará seus primeiros shows internacional em cidades de Itália.

Publicado em 13/11/2016 às 17:55

Do Gay1 Entretenimento

MC Trans espera há oito anos na fila do SUS por cirurgia de redesignação sexual

Foto: Reprodução/Facebook

MC faz 12 shows por mês e cobra de R$ 2 mil a R$ 8 mil.
Ela já foi expulsa de casa pela mãe, morou na rua, passou fome e se prostituiu. Hoje, a funkeira Camilla Monforte, de 27 anos, está de malas prontas para a Europa, onde fará seus primeiros shows internacional em cidades de Itália e também se apresentará no “Miss Universo Trans”. O sucesso começou depois de um empurrãozinho que ela recebeu da cantora Anitta, de quem foi cover oficial por dois anos. Camilla teve a ideia de dublar a Poderosa após tanto ouvir que era parecida com a artista pop.

“Ganhava R$ 500 reais por shows sendo a cover oficial da Anitta”, lembra ela. Hoje, a situação é bem diferente. Com o nome de MC Trans e música própria, ela fatura de R$ 2 mil (quando o show é no Rio) a R$ 7 mil e vem fazendo cerca de 12 apresentações por mês, em todo o país.

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Publicado por Mc Trans em Terça, 1 de novembro de 2016


Com o sucesso batendo na porta, ela deseja realizar o seu maior sonho: fazer a cirurgia de redesignação sexual. “Estou na fila do SUS desde os meus 19 anos, ou seja, são oito anos esperando. Estou quase perdendo as esperanças. E também gostaria de trocar meu nome na minha identidade”, diz ela, planejando outras mudanças.

"Vou trocar a minha prótese de silicone do bumbum e do peito. Agora quer ser conhecida como a Nicki Minaj brasileira (risos). Hoje em dia, eu faço mais o estilo dela. Já fiz preenchimento labial, plástica no nariz, coloquei metacril no corpo, e quero ter bumbum e seios exagerados".



Camilla Monforte nasceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e foi criada pela avó. Aos 7 anos, foi morar em Portugal com uns tios, e só retornou ao Brasil dez anos depois, já como Camilla. A troca de identidade irritou a mãe da cantora, que a expulsou de casa. “Nunca tive pai, então, fui morar na rua ali na Central do Brasil, virei mendiga, só andava toda suja”, relembra. “Já como prostituta nas ruas de Copacabana, eu fui um fracasso, não fazia muito o tipo dos clientes, então, não faturava”.

O sofrimento durou dois anos, até que Camilla conheceu o homem com quem ficou casada por nove anos. “Ele me tirou das ruas, mas hoje estamos separados”, diz a funkeira, que viu sua vida mudar mesmo da água para o vinho quando Anitta começou a divulgar o seu trabalho como cover.

Publicado por Mc Trans em Domingo, 30 de agosto de 2015


A admiração pela Poderosa quase foi ameaça no último encontro das duas, quando Anitta a aconselhou Camilla a buscar o seu próprio caminho.

“Estávamos num show na boate The Weeck. Ela me tratou de um jeito que eu achei que era grosseria, mas depois eu vi que não era. Ela disse que eu tinha muita identidade e dom, e perguntou porque eu não fazia um trabalho meu. Na hora, eu sai chorando, me senti humilhada, mas não falei nada porque eu tinha muito a agradecer a ela. A partir dali, eu virei MC Trans, gravei um clipe no Youtube ("Meu Lado Pior") que bombou, comecei a cantar e quando eu vi, minha música estava em todas as favelas, e eu viajando o Brasil inteiro”.

Além da música, Camilla também faz sucesso nas redes sociais e em seu canal no Youtube com o programa “Papo da trans” e a minissérie “Donas da favela", em que conta histórias vividas no Morro dos Tabajaras, no Leme, onde ela mora com uma mãe e um filho adotivo, de 18 anos.

 
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