Pastor suspeito de agredir lésbica presta depoimento no Pará

Ele compareceu à Delegacia de Crimes Discriminatórios nesta quinta, 29. Vítima afirma que foi agredida e arrastada para dentro de igreja evangélica.

Publicado em 29/12/2016 às 23:45

Do Gay1 PA

Pastor suspeito de agredir lésbica presta depoimento no Pará

Foto: Reprodução/Facebook

Engenheira denunciou caso de agressão nas redes sociais.
O pastor de uma igreja evangélica suspeito agredir uma mulher com motivações lesbofóbicas na noite de Natal (25) prestou depoimento na manhã desta quinta-feira (29), na Delegacia de Combate a Crimes Discriminatórios (DCCD) da Polícia Civil, em Belém. Segundo a delegada Hildenê Moraes, titular da DCCD, foi lavrado e encaminhado à Justiça um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) do caso.

"Ele no primeiro momento confessou chamar ela de 'sapatão'. Mas, durante depoimento disse que não lembrava. Não senti arrependimento nele", relatou a delegada.

Entenda o caso
A vítima é a engenheira da computação Thayana Mamoré. Ela relata que no domingo (25) procurou o pastor na igreja perto de sua residência para reclamar que ele havia estacionado em frente à garagem da casa dela, impedindo a entrada e saída de veículos no local.

“Ele disse para eu tomar cuidado com a mão de Deus, e saiu atrás de mim. Fui arrastada para dentro da igreja, enquanto ele gritava que eu iria pro inferno porque eu era sapatão”, conta. A engenheira afirma que sofreu uma série de tapas na cabeça, e foi atingida por um soco. "Fui vítima de crime de ódio", diz.

Thayana conta ainda que, durante o episódio, sua namorada foi impedida de entrar na igreja e socorrê-la, porque pessoas que assistiam o culto fecharam as portas do local. “Um vizinho viu a situação e conseguiu forçar as portas da igreja e me tirar de lá. Ele me salvou, porque eu não sei quanto tempo mais iria durar aquela sessão de violência”.

Lesbofobia
O caso foi denunciado junto a DCCD. A delegada Hildenê Moraes, da DCCD, explica que Thayana realizou o corpo de delito no Instituto Médico Legal, porém, por se tratar de um crime ainda considerado de menor potencial ofensivo foi lavrado apenas um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO).

A Justiça é quem vai determinar a pena ou não para o acusado. "Nesse TCO, em crime de menor potencial ofensivo, a penalidade é prestação de serviços à comunidade e pagamento de cesta básica. Não tem prisão... Nossa esperança é que mude a lei, por isso ocorrem tanto casos de homofobia, pois as pessoas sabem que a pena é pequena", disse a delegada.
 
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