Adolescente diz que viu mãe esfaquear filho; MP trata caso como homofobia

Jovem de 15 anos participou do crime e responderá por assassinato, diz Ministério Público. Itaberli Lozano, de 17 anos, foi morto pela mãe e padrasto em Cravinhos (SP).

Publicado em 18/01/2017 às 13:11

Do Gay1 SP

Adolescente diz que viu mãe esfaquear filho; Ministério Público trata caso como homofobia

Foto: Reprodução/Facebook

Itaberli Lozano foi encontrado morto em canavial na Rodovia José Fregonezi.
Suspeita de participação no assassinato de Itaberli Lozano, cujo corpo foi achado carbonizado em um canavial, uma estudante de 15 anos disse à Polícia Civil que presenciou o momento em que a mãe do jovem o matou com uma facada no pescoço, dentro de casa, em Cravinhos (SP).

A menor foi liberada após prestar depoimento, mas, segundo o promotor Wanderley Trindade, também responderá pelo homicídio qualificado, assim como a mãe, o padrasto da vítima e outros dois jovens que já estão presos.

O Ministério Público considera que o crime foi motivado por homofobia. Para o promotor, a mãe não aceitava o fato de o filho ser homossexual. Já a Polícia Civil sustenta a tese de conflito familiar, alegando histórico de agressões entre ambos.

“O crime já está completamente desvendado, só faltam alguns detalhes. A coautoria está bem definida. Todos responderão pelo crime praticado. Quem desferiu o golpe, quem não desferiu, isso é indiferente”, disse Trindade.

Depoimento

Testemunha e ajudante do crime, a estudante contou à polícia que ela, o namorado, Victor Roberto da Silva, de 19 anos, e um amigo do casal, Miller Barissa, de 18, foram procurados pela mãe de Itaberli, a gerente de supermercado Tatiana Lozano Pereira, na noite de 28 de dezembro.

Segundo a menor, Tatiana queria que os jovens matassem o filho e, para isso, armaria uma emboscada. Itaberli estava morando na casa da avó paterna, após uma desavença com a mãe. Ela então o chamaria de volta para casa, afirmando que queria fazer as pazes.

"Assim que Itaberli entrou, Tatiana foi lá fora e disse-lhes: 'ele está na sala, vai lá', quando Victor e Miller entraram e passaram a agredir Itaberli ainda na sala, bateram bastante nele, mesmo assim Itaberli conseguiu correr para o quarto e os agressores foram atrás (...)", consta em um trecho do depoimento.

A adolescente confirmou à polícia que o namorado e o amigo agrediram Itaberli até deixá-lo desacordado dentro do quarto. Nesse momento, saíram do cômodo e ela ouviu Tatiana pegando algo em uma gaveta de talheres na cozinha.

“(...)Tatiana entrou no quarto com a faca, a declarante foi até a porta do quarto e viu quando Tatiana virou a cabeça de Itaberli para o lado para cravar a faca em seu pescoço, não quis olhar a mãe matando o próprio filho, virou o rosto para não ver”, consta em outro trecho do depoimento.

A versão foi reafirmada pela adolescente em postagem no Facebook, destacando que está recebendo ameaças de morte. A estudante diz no texto que os jovens foram chamados para darem “um corretivo” em Itaberli, e bateram porque já não gostavam dele (veja abaixo).

Adolescente diz que viu mãe esfaquear filho; Ministério Público trata caso como homofobia

Foto: Reprodução/Facebook

Em postagem no Facebook, adolescente confirma que namorado e amigo agrediram Itaberli Lozano.

Caso esclarecido

Para o promotor Wanderley Trindade, o depoimento da estudante embasa a suspeita inicial de que o crime foi premeditado pela mãe, com a ajuda dos jovens e do padrasto de Itaberli, o tratorista Alex Pereira. Todos estão presos temporariamente por 30 dias.

“A adolescente esclareceu todo o crime, todo o desenrolar, desde o contato que a Tatiana fez com ela para contratação do Victor e do Miller. Eles foram até o local, conversaram com a Tatiana e com o convivente, o Alex, e ali arquitetaram todo o crime de homicídio”, afirmou.

A Polícia Civil aguarda o resultado da perícia no veículo da família, que teria sido usado pela mãe e o padrasto para levarem o corpo de Itaberli até o canavial às margens da Rodovia José Fregonezi, onde foi incendiado.

O casal deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Já Silva e Barissa devem responder por homicídio qualificado e associação criminosa. Nenhum dos quatro tem advogado constituído, segundo a polícia.

Adolescente diz que viu mãe esfaquear filho; Ministério Público trata caso como homofobia

Foto: Reprodução/EPTV

O promotor Wanderley Trindade diz que denunciará mãe e padrasto de Itaberli Lozano por homofobia.

O crime

O corpo de Itaberli Lozano, de 17 anos, foi encontrado carbonizado em um canavial em Cravinhos em 7 de janeiro. A família registrou um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento do adolescente dois dias depois.

Na quarta-feira (11), a mãe e o padrasto foram presos e confessaram o crime. Inicialmente, Tatiana disse que discutiu com o filho dentro de casa e o esfaqueou na madrugada de 29 de dezembro. Com a ajuda do marido, ela queimou o corpo no canavial.

Em um segundo depoimento, a mãe voltou atrás e contou que havia aliciado dois jovens para darem um “corretivo” no filho, mas sem a intenção de matá-lo. Tatiana disse que ligou para Itaberli, que estava na casa da avó paterna, alegando que queria se reconciliar.

Um dos rapazes confessou ter espancado Itaberli, enquanto o outro disse que apenas conversou com o jovem. Segundo a Polícia Civil, no entanto, ambos espancaram e enforcaram a vítima. Em seguida, a mãe esfaqueou o próprio filho.

A dupla foi presa na sexta-feira (13) e levada à cadeia de Santa Rosa de Viterbo (SP). No mesmo dia, Tatiana foi transferida da cadeia de Cajuru (SP) para a Penitenciária de Tremembé (SP). O padrasto da vítima continua preso na cadeia de Santa Rosa de Viterbo.

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Foto: Reprodução/Facebook

A mãe do jovem, Tatiana Lozano Pereira, e o marido, Alex Pereira.
 
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