Visitante acusa CCBB RJ de lesbofobia e centro cultural repudia episódio

Namorado de funcionária escreveu 'Fora lésbica' em quadro destinado ao público infantil.

Publicado em 02/01/2017 às 19:39

Do Gay1 RJ Visitante acusa CCBB RJ de lesbofobia e centro cultural repudia episódio

Visitante acusa CCBB RJ de lesbofobia e centro cultural repudia episódio

Foto: Reprodução/Facebook

Namorado de funcionária do CCBB RJ escreveu 'Fora lésbica' em quadro.
Após uma funcionária ser acusada de lesbofobia por uma frequentadora, o CCBB RJ se manifestou, através das redes sociais, "total repúdio ao episódio relatado". Semana passada, uma frequentadora identificada apenas como Éri Éri contou que visitava o centro cultural em companhia de sua namorada quando uma funcionária do espaço chegou acompanha do namorado, que escreveu "meu pau" num quadro imantado destinado ao público infantil, para atividades relacionadas à exposição "Mondrian e o movimento De Stijl".

"Ok, não foi ela que escreveu, mas a atitude foi bem inadequada pra quem está trabalhando. Quando eles saíram, removemos a frase e continuamos lá. Ficamos sem acreditar que funcionários fariam isso (nessa hora estávamos achando q ele também trabalhava lá). O cara que escreveu voltou outras vezes pra nos olhar (...) Passamos em frente a sala das crianças e ele estava saindo de lá. Agora o recado era "FORA LÉSBICA", relatou.

Segundo Éri, a funcionária trabalharia no balcão de informações. Ao ser convidada por outros dois empregados do centro a registrar reclamação, a visitante enfrentou resistência do homem que escreveu no mural. "Ele tentou me impedir de colocar o papel na caixa tampando o buraco e depois tentando arrancar o papel da minha mão. O tempo inteiro que escrevia a reclamação, ele ficou a menos de um metro de mim rasgando os papéis da caixa".

Nota oficial do CCBB RJ: O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro manifesta total repúdio ao episódio de...

Publicado por CCBB Rio de Janeiro em Segunda, 2 de janeiro de 2017


Funcionária afastada
Na nota reproduzida acima, o CCBB diz "a funcionária envolvida pertence ao quadro de colaboradores terceirizados e foi afastada, não exercendo mais atividades no CCBB RJ". E que "o fato narrado contraria os valores e o trabalho educativo e afirmativo que a instituição vem realizando ao longo da sua história contra a intolerância e a favor da diversidade étnica, sexual, de gênero e religiosa"

"O Centro Cultural está apurando internamente o fato e tomará todas as medidas legais e judiciais cabíveis com a firmeza que a situação descrita exige. Lamenta que o caso tenha acontecido em suas dependências e reafirma o compromisso de atuar em prol do respeito às diferenças, repudiando toda e qualquer manifestação de preconceito".

Protesto na quarta-feira
As ativistas receberam bem a atitude do CCBB em iniciar a investigação e postar a mensagem com foto dos funcionários, mas muitas não consideraram suficiente. Além disso, algumas problematizam o fato de usarem a palavra homofobia, e não lesbofobia, na mensagem de repúdio postada pela instituição. "Dizer que foi homofobia tira a visibilidade de mulheres lésbicas que exigem outras demandas diferentes das reivindicações de gays homens", argumenta uma pessoa nos comentários do evento.

Assim, organizaram o protesto “Lesbianizar o CCBB” para quarta-feira, dia 4, às 18h, na entrada da instituição. “O CCBB é uma instituição conhecida por suas grandes exposições, filmes e peças, quase sempre feitos em todas as etapas por nós LGBTS”, diz trecho da proposta do evento. “Porém, na hora de reconhecerem nosso afeto e amor, nos expõem ao ridículo e são preconceituosos”, acrescenta o manifesto.

A proposta é "ocupar o hall do CCBB com os nossos corpos sapatões, viados, travestis, transsexuais e bissexuais. Vamos mostrar pra eles que Mondrian não é nada colorido perto da gente".
 
Encontre-nos no Google+