Conheça o apartamento do casal Bruno Astuto e Sandro Barros

Em São Paulo, clean é palavra proibida: sobreposições de tecidos, papéis de parede, chinoiseries, toiles de jouy, louças e livros não respeitam convenções de estilo nem proporção.

Publicado em 23/03/2017 às 13:48

BRUNO ASTUTO, ESTILO ADRIANA FRATTINI, PRODUÇÃO MANUELA FIGUEIREDO
Conheça o apartamento do casal Bruno Astuto e Sandro Barros
Foto: BETO RIGINIKBruno Astuto (à esq.) e Sandro Barros exibem o canto da lareira de seu living.

Foram mais de dois anos de intensa procura por um lar em São Paulo que conseguisse abrigar nossas duas grandes paixões: louças e livros. Por paixão, entenda um sentimento desmedido e incontrolável, vício mesmo, que nos faz correr o mundo atrás de souks, sebos, livrarias, feirinhas, leilões e antiquários.

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Foto: BETO RIGINIKA inesperada mistura de dois papéis de parede – um, preto com motivos de pássaros dourados, da Ralph Lauren, e outro, vermelho, de chinoiserie da Brewster – define a atmosfera do hall de entrada, respeitando os contornos das boiseries – a cúpula do abajur é da Entreposto.

Antes mesmo de definir onde ficariam, no novo apartamento, os sofás, as camas e as cadeiras, começamos os trabalhos pela biblioteca e pelo louceiro. Eles são o coração da casa, coisa que a decoração não deixa mentir: a biblioteca é vermelha, do chão às paredes, e o louceiro, de couro de píton pink.

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Foto: BETO RIGINIKVista aberta do mesmo hall revela, além do mix de papéis de parede, a presença de duas cadeiras Luís XVI cujos assentos foram forrados com tecido fake de tigre, comprado na rua do Gasômetro, em São Paulo.

Gostamos de azul e branco, de tecidos brocados e papéis de parede estampados. Somos loucos por chinoiseries, japonismos, toiles dejouy, Rússia Imperial, Debrets e Rugendas brasileiríssimos e muitas imagens de santos.

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Foto: BETO RIGINIKO mix de azuis do living inclui até a fotografia do Pão de Açúcar de Betina Samaia.

Como juntar tudo isso sem parecer que estamos no mercado das pulgas? A resposta talvez fosse: e qual o problema de viver no mercado das pulgas? Em paz com a certeza de que o único cômodo clean seria a vaga da garagem, decidimos soltar a mão e sermos despudoradamente felizes.

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Foto: BETO RIGINIKPotiches da Companhia das Índias adornam a mesa da biblioteca, revestida com tecido da Entreposto.
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Foto: BETO RIGINIKO louceiro “dos sonhos de Sandro”, com prateleiras de couro de píton pink que sustentam dezenas de jogos de louça – os aparelhos eram tantos que, na mudança, o casal contratou os serviços da organizer Márcia Primo Costa para catalogar tudo.

O decorador da família, devo confessar, é meu marido, o Sandro. Quando entrei no apartamento vazio, tive uma crise de choro, pois não tinha a menor ideia de onde posicionar os móveis. Dois dias depois, Sandro chegaria com os croquis de cada cômodo, pintados à mão, como fizera, aliás, no nosso casamento.

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Foto: BETO RIGINIKO quadro de Adriana Duque concentra os olhares em outro canto do living, enquanto arranjos florais de Giu Ranieri acrescentam charme à composição – almofadas na Ana Luiza Wawelberg.

Detalhista, meticuloso com os acabamentos e com um profundo senso estético trazido de sua profissão – ele é estilista –, Sandro “bordou” cada canto. Com a gente, não existe essa história de a casa ser uma extensão da cidade. A intenção foi nos transportarmos para outra dimensão, um Epcot Center de estilos.

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Foto: BETO RIGINIKGuarnecida por duas estantes simétricas – vitrines para os livros pelos quais o casal é apaixonado –, a lareira do living foi desenhada por Jorge Elias junto à Casa Francesa (assim como as boiseries da casa) e abriga porcelanas Bleu de Chine e um espelho solar da Divino Espaço – mesa de centro da Glass 11 feita sob medida, almofadas na Ana Luiza Wawelberg e flores de Giu Ranieri.

Na biblioteca vermelha, nossa coleção de Imaris e a boneca japonesa comprada na nossa lua de mel dividem espaço com tecidos brocados de medalhões dourados da Braquenié, de Paris, e da Entreposto. Os quartos representam as Yvelines francesas, com toiles de jouy de cenas de trabalho no campo e chinoiseries.

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Foto: BETO RIGINIKO azul e o branco predominam na sala de jantar, cujas clássicas cadeiras da Maison Jansen distribuem-se ao redor de uma mesa antiga, achada embaixo de um viaduto do Centro de São Paulo e arrematada por uma pechincha, enquanto o lustre, propositalmente fora de escala, provém de um antigo salão de baile – ao fundo, uma coleção de porcelanas Bleu de Chine reunida em mercado das pulgas de Paris, em leilões e no antiquário Luiz Mello.

Na sala de almoço, as gravuras brasileiras de Rugendas, do chão ao teto, ficaram sobre um papel dourado metalizado e texturizado. Uma amiga perguntou: “É Chanel?”. Não, Leroy Merlin, chérie! Para as cadeiras Jansen da sala de jantar, encontramos, por uma pechincha, uma mesa antiga embaixo de um viaduto do Centro de São Paulo. Daí veio o problema: o lustre era tão enorme e desproporcional, de um antigo salão de baile, que... bingo!, ficou perfeito.

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Foto: BETO RIGINIKQuarto do casal: a unidade entre os toiles de jouy de cadeiras, toalha de mesa e paredes só é quebrada pelo quadro de Alfredo Volpi.

Nosso mix & match, como se vê, também se aplica aos volumes, coisa que aprendemos na biografia de uma das nossas musas, a socialite russa Zenaida Yusupova, que dizia não existir nada mais entediante do que comprar um elefante pensando no tamanho da carroça. Não tenho ideia se ela comprou mesmo o tal elefante, mas o fato é que eu sempre escrevo olhando para o retrato dela, em frente ao meu computador, e por isso meus textos para a Vogue sempre têm estouro... Viemos de famílias italianas; tudo gira em torno da mesa.

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Foto: BETO RIGINIKMesa de cabeceira com flores de Giu Ranieri e cama com enxoval da Valencien.

A paixão por mesas postas foi a desculpa para termos quatro delas para arrumar e receber nossos amigos – ou mesmo ficarmos, tête-à-tête, no café da manhã no nosso quarto, como num hotel. Jantar aqui é assim: tem louça, trocentos copos, patos de prata, carrossel, palmeiras, tudo ao mesmo tempo agora, uma diversão. Fui criado por avó e tia, e elas adoravam um bibelô – se me colocassem numa casa minimalista ou modernista, eu me sentiria num túmulo. Felizmente, Aurora, nossa buldogue francesa, não sente a menor fome diante de sofás, almofadas, pés de mesa e objetos de decoração.

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Foto: BETO RIGINIKColeção de imagens de santos exposta ao lado da cama.

Contamos com a ajuda do nosso amigo, o arquiteto Jorge Elias – santo Jorge – para dar uma curadoria técnica e editar tanta informação. O quarto de empregada, coisa a que temos verdadeiro horror – a nossa, quando dorme, o faz no quarto de hóspedes, evidentemente –, se transformou no louceiro dos sonhos do Sandro. Nem acredito que concluímos em três meses, como nesses reality-shows da tevê.

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Foto: BETO RIGINIKTomar o café da manhã em uma mesa montada no quarto, como em um hotel, faz parte da rotina dos dois.

Nesse ritmo de “do it yourself”, por várias vezes cogitei entrar no primeiro boteco da nova vizinhança, e olha que eu nem bebo. No meio do processo, fiz uma turnê de palestras por 23 cidades brasileiras, uma cirurgia bariátrica, perdi 50 kg e todas as roupas e sapatos, que, aliás, doei alegremente. A casa nova talvez seja um símbolo dessa vida nova. E a nossa é over, cigana, apaixonada, com muitos elefantes na carroça e a leveza de quem encontrou seu mix ao lado do seu perfect match.

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Foto: BETO RIGINIKBruno Astuto e Sandro Barros posam na bilbioteca, ao lado da boneca japonesa adquirida na lua de mel e à frente de uma coleção de porcelana Imari garimpada em mercado das pulgas de Paris, em leilões e no antiquário Luiz Mello – na parede, tecido brocado da Braquenié.
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