'Ninguém me daria esse papel', diz Carolina Ferraz sobre viver travesti no cinema

Protagonista de 'A Glória e a Graça', que estreia na quinta, faz referência à icônica cena 'eu sou rica!' da novela 'Beleza Pura'.

Publicado em 28/03/2017 às 16:59

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Mais de dez quilos acima do peso, prótese dentária, peruca, voz grave... Tudo isso impressiona, mas a transformação não foi apenas física para viver uma travesti no cinema. Segundo Carolina Ferraz, foram mudanças libertadoras. Após uma década entre a idealização e realização do projeto, a atriz chega às telonas quinta-feira com a história de Glória, uma bem-sucedida dona de restaurante. Ela vê sua vida chacoalhar quando a irmã, Graça (Sandra Corveloni), a procura depois de 15 anos pensando ainda se tratar de Luiz Carlos, conta que está com aneurisma e quer que ela cuide dos sobrinhos.

Foto: DivulgaçãoCarolina Ferraz chega aos cinemas quinta-feira, no papel da travesti Glória.

Quando rodou “A Glória e a Graça”, dirigido por Flávio Tambellini, a atriz estava “recém-parida”, amamentando a caçula, Isabel, de 1 ano, na época com quatro meses. "Eu me preparei tanto para isso que, quando aconteceu, eu respirei fundo, me entreguei e todo mundo me abraçou. Fui amparada".

Mesmo com a carreira consolidada e um nome forte no mercado, Carolina sentiu na pele o preconceito de querer dar vida a uma protagonista travesti. Foram incontáveis “nãos”, mas nenhum que a tenha abalado. "A gente não conseguia dinheiro. Eu cheguei a escutar de vários executivos: ‘Carolina, você é tão bonitinha, não faz uma personagem dessa. Não se associe a esse tipo de imagem’. Mas isso nunca me paralisou porque eu nunca duvidei do meu desejo de contar essa história".

Foto: DivulgaçãoQuando filmou atriz estava com dez quilos acima do peso. Ela usou peruca, prótese dentária, unhas postiças...

Com o cuidado de não fazer de Glória uma personagem caricata, sem clichês e estereótipos, Carolina foi a campo. Ouviu 62 travestis, se montou e foi para a rua. "Por duas noites, eu estava acompanhada de duas travestis que me produziram. A grande maioria, infelizmente, por falta de opção, estava se prostituindo. A sociedade é muito preconceituosa. Foi difícil, mas foi muito bom vivenciar tudo aquilo. Fui para tentar entender — é claro que não tenho noção da dimensão — mas procurei, com toda sinceridade, ser verdadeira e construir uma história bonita. Essa era a minha vontade como artista. O filme fala de amor, de segunda chance, é leve e tem humor".

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